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Ela normal, eu borboletras

 
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o passado como criação

Embora o passado pareça se cristalizar depois do momento vivido, a memória não é um fenômeno de repetição, mas antes um movimento de recriação das experiências. Esse foi o conceito fundamental de que nos apropriamos do romance de Andrea Ferraz para o projeto gráfico.

 
Projeto feito em colaboração com Gabriela Araujo
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Na capa, o conceito é representado pelo deslocamento dos canais de cor da fotografia. O resultado gera diversas sobreposições que dão movimento à imagem. Sobretudo nos pés das pessoas, que parecem estar trocando de pés, dançando, remetendo também a um movimento, que confirma que o passado é parte de um processo de reconstrução.

O resultado foi inspirado no processo de digicromatografia. Esse processo inventado por químico russo no século XIX, previa que o fotógrafo tirasse 3 fotos sucessivas – cada uma com um filtro de uma das cores-luz primárias, vermelho, verde e azul – e revelasse esses negativos sobrepostos, cada um com sua cor, para conseguir uma fotografia colorida.

Reproduzimos, então, esse processo digitalmente a partir da fotografia do casamento do protagonista – ficcional e real ao mesmo tempo. Todavia, ao invés de casar as três cores, quebramos a percepção imediata, factual, para remeter à recriação da memória pelo romance. Assim, nossa percepção pinta o passado através dos afetos da memória, em vez de registrar um fato de maneira precisa.

 

 
 
 
 

livro vencedor do prêmio Vânia Souto Carvalho de Melhor ficção da academia pernambucana de letras em 2017